Água mole em asfalto duro...

.. tanto bate até que inunda, claro. E nesse verão as chuvas estão vindo torrenciais.
O Brasil acompanha os efeitos de tempestades em São Paulo, no interior de Minas e principalmente em Belo Horizonte, nossa capital.

Enchentes por toda a parte, levam carros e até casas, deixam gente ilhada e o pior de tudo. Causam doenças e mortes.
Não podemos impedir que chova, apesar de termos culpa dessa mudança climática,- mas isso é assunto para outro texto – podemos porém, evitar os desastres que ela causa. E não é dificil. Basta querer e investir.
O progresso é bem vindo, claro. Não sou a favor de banir o asfalto, afinal ele é muito útil para nossa economia. Imagine se nossas estradas fossem de terra, nossos produtos demorariam muito para chegar ao destino, e além de poder estragar, o preço final do frete seria inviável. E nas cidades? Quanta poeira e sujeira estaríamos engolindo, fora o fato de nossos carros estarem mais sujeitos à estragos.
O que falta é atitude e como dito antes, investimento. Se todo ano chove, não é muito mais fácil investir em prevenção do que na remediação? Mas ao invés disso, as autoridades poem placas de aviso à população: “Cuidado, área de alagamento. Se chover não saia de casa”.


É mais barato instalar uma placa do que fazer um dreno para a água escorrer. É mais fácil instalar uma placa do que limpar a cidade para o lixo não acumular e entupir os bueiros. É mais cômodo instalar uma placa do que educar a população para não poluir os rios e córregos das cidades.
A culpa toda não é do asfalto. Ele não pode fazer nada, mas nós podemos. Inclusive investir nele.

O pesquisador da USP José Rodolpho Martins, do Departamento de Hidráulica da Universidade de São Paulo estuda a água e os mecanismos de uma enchente. Ele desenvolveu um asfalto que absorve água, sendo então um aliado para conter os alagamentos.
E o sistema é fácil de compreender. Os asfaltos tradicionais são feitos basicamente por pedras muito pequenas, unidas por piche. Como as pedras são minusculas, não há espaço entre elas, portanto a água não penetra. Já o asfalto desenvolvido na Universidade de São Paulo, chamado de Camada Porosa de Asfalto, possui pedras maiores, deixando espaço vazio entre elas. É nesse espaço que a água entra e não acumula na superfície. Simples e objetivo, porém ainda caro. Mas se houver boa vontade, logo a demanda será maior e o preço menor.

Exemplo do asfalto comum à esquerda, e do CPA, à direita.
Outras ações também são bem vindas e muito necessárias, senão as águas que nos dão a vida, serão sempre algo que nos lembra a morte.

Por: Raphael Augusto

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